Após pedido de prisão, João de Deus não deve ir a centro em Abadiânia

Médium é suspeito de abusar sexualmente de crianças e mulheres durante atendimentos. Ele nega as acusações.

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MP pede prisão preventiva de João de Deus, acusado de abuso sexual — Foto: Reprodução/JN
MP pede prisão preventiva de João de Deus, acusado de abuso sexual — Foto: Reprodução/JN

Após o pedido de prisão contra João de Deus, o médium não deve comparecer nesta quinta-feira (13) à Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, cidade goiana no Entorno do Distrito Federal, segundo informou Chico Lobo, um dos administradores do templo. João de Deus nega as acusações de que abusou sexualmente de crianças e mulheres durante atendimentos.

“Diante dos fatos, João de Deus não virá à Casa. Primeiro, porque ele não quer trazer tumulto para cá. Segundo, porque estamos aguardando o desenrolar jurídico do caso. Ele iria pra São Paulo, chegou a ir ao aeroporto, mas por orientações dos advogados, optou por ficar aqui em Goiás. Ele está no estado e vai permanecer por aqui”, disse o auxiliar do médium.

Turistas começaram a chegar ao templo às 7h na expectativa de conseguir atendimento com o médium, que esteve no local na quarta-feira (10), quando fez a sua 1ª aparição pública depois de as denúncias terem vindo à tona. O primeiro ônibus a estacionar na Casa estava com cerca de 40 pessoas de Cuiabá, que foram até Abadiânia em busca de atendimento espiritual.

Turista estrangeiro faz protesto a favor de João de Deus na Casa Dom Inácio de Loyola — Foto: Murillo Velasco/ G1
Turista estrangeiro faz protesto a favor de João de Deus na Casa Dom Inácio de Loyola — Foto: Murillo Velasco/ G1

Além das excursões de diferentes estados brasileiros, dezenas de turistas estrangeiros, sobretudo de países do leste europeu, como Romênia, Ucrânia, Eslováquia e Croácia frequentam a Casa nesta manhã. Sentado na entrada principal do templo, um deles escreveu em um cartaz “Help João. The meditation begin here”, que, em português, significa “Ajudem João. A meditação começa aqui”.

Advogado de João de Deus, Alberto Toron disse que ainda não foi comunicado oficialmente sobre o pedido e que seu cliente segue à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos.

“Eu fui informado apenas pela imprensa, não recebi qualquer comunicação oficial, não conheço o teor do suposto pedido e, portanto, a única coisa que posso dizer é que o João de Deus voltou para Abadiânia e está à disposição da Justiça, como sempre esteve. Não me parece que haja qualquer necessidade da decretação da prisão preventiva. Por hora, é tudo que eu posso dizer”, afirmou.

‘Sou inocente’

João de Deus esteve por menos de 10 minutos na Casa Dom Inácio de Loyola. Na ocasião, ele disse que era inocente e que confiava na Justiça de Deus e dos homens.

“Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs, agradeço a Deus por estar aqui. Ainda sou irmão de Deus, mas quero cumprir a lei brasileira porque estou na mão da lei brasileira. João de Deus ainda está vivo. A paz de Deus esteja convosco”, diz João de Deus.

A assessora de imprensa do religioso, Edna Gomes, disse que o médium teve uma crise de hipertensão e, por isto, deixou o local. Ela também afirmou que João de Deus era inocente, mas que as denúncias eram graves e deveriam ser apuradas.

Denúncias

O jornal “O Globo”, a TV Globo e o G1 têm publicado nos últimos dias relatos de dezenas de mulheres que se sentiram abusadas sexualmente pelo médium. Não se trata de questionar os métodos de cura de João de Deus ou a fé de milhares de pessoas que o procuram.

força-tarefa que investiga as denúncias contra João de Deus começou o trabalho de investigação na segunda-feira (10), depois que o programa Conversa com Bial divulgou o relato de 10 mulheres que disseram ter sido abusadas sexualmente pelo médium.

Para atender às mulheres que não moram em Goiás, o MP-GO preparou uma sala de videoconferência. Nela, ficam os cinco promotores de Goiás que participam da força-tarefa, duas psicólogas e dois tradutores de línguas estrangeiras.

“Temos casos fora do Brasil, por isso, temos a necessidade de acompanhamento para ajudar a gente a esclarecer todas essas situações”, afirma o procurador-geral do órgão, Benedito Torres.