Divórcio e falta de desejo assustam pacientes com câncer de mama

Psicoterapia pode ajudar mulheres a lidar com questões emocionais que surgem após a doença; abandono pelo parceiro e até abusos não são raros

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Além da doença, mulheres têm que lidar com outros medos durante tratamento
Além da doença, mulheres têm que lidar com outros medos durante tratamento Pixabay

O abandono no momento em que a paciente mais precisa. A separação e o divórcio são uma realidade, embora pouco discutida na vida das mulheres que enfrentam o câncer de mama.

Após receberem o diagnóstico, além do combate à doença, elas precisam lidar com incertezas, dúvidas e ansiedades relacionadas ao casamento.

Muitos casais que juram amor “na saúde e na doença” não são capazes de resistir ao fardo pesado da confirmação da presença de um tumor. “Ao receber o diagnóstico de um câncer de mama, além do choque inicial e do medo da morte, muitas mulheres relatam o receio de perder o parceiro. E, infelizmente, esse tipo de abandono acontece com certa frequência”, conta a psicanalista Débora Damasceno, diretora da Escola de Psicanálise de São Paulo.

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Além disso, a perda do cabelo e ou da mama são lutos do lado feminino da paciente difíceis de serem superados. A autoestima fica comprometida e o medo de não agradar mais o companheiro pode aparecer. “Muitas têm a sensação de que o marido ou o namorado não vai mais sentir desejo, muitas acham que ele pode sentir nojo ao ver a mama pós mastectomia. E, assim, elas não permitem mais explorar os momentos íntimos e se afastam. Alguns homens compreendem bem e ajudam, mas outros realmente acabam não aguentando”, explica a psicanalista.

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Débora acrescenta que, em alguns casos, a paciente pode até mesmo sofrer abusos do companheiro. “Algumas mulheres poderão sofrer abusos, não são compreendidas e acabam cedendo às pressões sem ter vontade, apenas para agradar o companheiro”, enfatiza.

No meio disso tudo, podem ocorrer agressões verbais e ofensas que mexem com o emocional. Dar a volta por cima pode não ser nada fácil. O ideal, nesses caos, é procurar ajuda psicoterapêutica para enfrentar o câncer e ficar mais segura para lidar com as questões emocionais envolvidas.

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